Para compreender a “viagem”

Para compreender a peça de teatro “Viagem a Portugal ” que ontem inaugurou o festival {Mirada} que o Sesc SP de Santos organiza é importante ouvir a performance FMI, do cant’autor português José Mário Branco.

Isso vai ajudar, quem não está familiarizado com os movimentos sociais mais recentes da sociedade portuguesa.

O menino é filho [ pertence a] de uma classe sem futuro histórico

Este trecho – sem estar presente na peça –  é espelho, impressão e daguerreótipo de toda a mágoa e desesperança no futuro presente em todos os 10 capítulos em que a narrativa (dramaturgia?) se desenvolve.

Ela mostra uma visão melancólica e triste da evolução pós revolucionária (capitalista) da sociedade portuguesa, mas que (no meu entender e de muitos) não representa o que a revolução dos cravos trouxe aos portugueses.

Festival {Mirada 2022 } – Santos, São Paulo

Certamente ainda com muitos defeitos e imperfeições sociais, o Portugal de hoje, que cada vez mais Brasileiros ama como sua {quase} [outra] pátria, é incomensuravelmente melhor que antes.

Há, no entanto, uma larga faixa de servidores públicos, nomeadamente professores, enfermeiros, médicos que foram surpreendidos pelo movimento forte de transformação da sociedade portuguesa, que no início deste milénio tornou Portugal mais mais liberal [no sentido europeu] e com muitos setores da economia a migrarem para a iniciativa privada.

A companhia lisboeta Teatro do vestido

Este {processo} está na base da criação de um movimento político – o Bloco de Esquerda – partido urbano com valores de modernidade, igualdade, equidade e importante percussor dos valores das (novas) agendas de sustentabilidade [agenda 2030], mas sempre se alimentando da desilusão dessa classe [sem futuro histórico] [e que acredita que a história a maltratou] para engrossar a sua base de apoio político.

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