Amor, amor, amor

Foi há muito tempo, mais de 10 anos, que partilhei a mesma página do jornal “O Globo” com um dos maiores colunistas e escritores de língua portuguesa do nosso tempo: o Zuenir Ventura.

Sábado passado, no Rio de Janeiro, seguindo um convite inesperado e mágico do maravilhoso Afonso Borges, pude sentir o abraço do Zuzu, a sua voz macia e bela (de quem já é só luz) e cantar-lhe os parabéns, junto com amigos que, como eu, amam a cultura e a nossa língua.

No Plano Inclinado Leda Gontijo, sopé do Cosme Velho, mais de metade do PIC — Produto Interno Cultural do Brasil — e talvez da sua esperança, se juntou numa festa de Babette tropical, feita de afetos, sorrisos, cumplicidades, maravilhosos diálogos e amor. Amor. Amor. Amor.

Eu disse — em compungido agradecimento — Adorei muito a festa, a comida, todos seus detalhes, a acidez do Chardonnay, a goiabada de quota, que mostra que a mão de Deus se acrescenta à árvore no destino da fruta; a delicadeza da Cora e a teimosia do Tigre; e tudo o que não soube ver na sua casa única e maravilhosa, cheia de luz e de livros.

Ela respondeu — enrubesci — Sabe a alegria de abrir um presente inesperado? É como eu me sinto. Mais, um presente surpresa, oferecido por quem sabe do que eu mais gosto. Você é a delicadeza personificada. Repito: adorei! Gracias a la vida. Terminou-me na face o beijo carinhoso que li. e senti-me feliz.

Mas eu tinha a certeza que era do som que guardaria a memória mais intensa. Da beleza singular do som das nossas vozes se costurando em conversas particulares, todas se pertencendo sem que alguém reparasse, ao vozear suave e à soma elegante de tudo o que dissemos. Afinal, nada de essencial acontece na ausência do som.

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