JM Diogo

Luz garra

Luz garra

Aí no silêncio onde moras à luz oblíqua de outono sou teu íntimo felino Garra da tua sombra mago devoto na tua luz Improvavel profeta ecrã impossível tocar-te e fuga e som

Liberdade

Liberdade

Liberdade Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. Sol doira Sem literatura O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como o tempo não tem pressa… Livros são papéis pintados com tinta. Continue reading Liberdade

Flor consoante

Flor consoante

Em todas as mesas se falam homens antigos e mulheres de histórias que não viveram memórias só gestos de agora [é verão] na cara deles há delas memória e um precipício em tempo e um muro quente que se derrete sem pressa

Tempo [ii]

Tempo [ii]

Manobras o ponteiro dos minutos como se fosses uma fera enjaulada. Como se nada houvesse que não seja o vazio eterno dessa estrada. Não me levanto nunca  sem pedir que a tua alma acabe, que o teu leito resvale, que o teu cigarro se apague; e cinza e sono e deus, se ponham de acordo Continue reading Tempo [ii]

Seguir

Seguir

Com a leveza do ar e o peso das memórias levanto voo no anoitecer de sábado. É a viagem, é a viagem! É o mar é o mar me chama. É a terra que deixo sempre para trás Sem a olhar como merece. Vertigem da vertigem [a vertigem dá vertigens] E eu prossigo impassível como Continue reading Seguir

Tempo

Tempo

Devolvo à minha memória o teu olharFoi no ano em que éramos jovensNós e o nosso amor enfeitado de madressilvasborboletas e mais animais mitológicosVeio o tempo que me empurra e eu empurro-teA lua lá fora já não brilha em estrofesnão canta elegias e sonetos nem encanta novidadesOlho à volta e não consigo sair desta rima Continue reading Tempo

Anil

Anil

Pela hora da lua sinto a tua falta. Não há um reflexo que te traga nem luz que te devolva. Partiste. És aura e só memória e contornos indefinidos. Azul, anil, apenas cinza. Sempre passado.